quarta-feira, 23 de abril de 2014

A implosão da mentira

Mentiram-me. Mentiram-me ontem e hoje mentem novamente. Mentem de corpo e alma completamente. E mentem de maneira tão pungente que acho que mentem sinceramente. Mentem, sobretudo impunemente. Não mentem tristes, alegremente mentem. Mentem tão nacionalmente que acho que mentindo história afora,·vão enganar a morte eternamente. Mentem, mentem e calam, mas as frases falam e desfilam de tal modo nuas que mesmo o cego pode ver a verdade em trapos pelas ruas. Sei que a verdade é difícil e para alguns é cara e escura, mas não se chega à verdade pela mentira nem à democracia pela ditadura. Evidentemente crer que uma flor nasceu em Hiroshima e em Auschwitz havia um circo permanentemente. Mentem, mentem caricaturalmente, mentem como a careca mente ao pente, mentem como a dentadura mente ao dente mentem como a carroça à besta em frente, mentem como a doença ao doente, mentem como o espelho transparente mentem deslavadamente como nenhuma lavadeira mente ao ver a nódoa sobre o rio mentem com a cara limpa e na mão o sangue quente, mentem ardentemente como doente nos seus instantes de febre, mentem fabulosamente como o caçador que quer passar gato por lebre e nessa pilha de mentiras a caça é que caça o caçador e assim cada qual mente indubitavelmente. Mentem partidariamente, mentem incrivelmente, mentem tropicalmente, mentem hereditariamente, mentem, mentem e de tanto mentir tão bravamente constroem um país de mentiras diariamente. Alfonso Romano Del Santanna (sobre as mentiras que a ditadura pregava, mas facilmente aplicável aos dias atuais)