Aproveitamento da energia inercial – Sistema KERS
O presente trabalho visa explanar os diferentes sistemas de reaproveitamento de energia inercial, com especial atenção ao “inovador” KERS da competição automobilística Fórmula 1.
Foi incorporada, no vigente ano de 2009, a permissividade de utilização de um sistema de reaproveitamento de energia inercial (KERS) nos veículos de competição da Fórmula 1. Porém, o objetivo principal atual não é a redução no consumo de combustível e consequentemente, a de emissão de poluentes na atmosfera, pois as regras desta competição não restringem a quantidade de combustíveis fóssil-sintéticos utilizados. O KERS, como é chamado, é a sigla para Kinetic Energy Recovery System e tem com principal objetivo um incremento de potência no propulsor da ordem de 60 kW (80 CV) por um período máximo de 6.7 segundos, totalizando 400 KJ de energia. Lembrando que o recarregamento do sistema se dá durante o processo de redução de velocidade (frenagem), pois a energia que seria dissipada em forma de calor pelos freios é redirecionada pelo inovador dispositivo.
As diferentes possibilidades de aproveitamento não foram limitadas ou especificadas, como por exemplo, a equipe Ferrari, que utiliza uma máquina elétrica síncrona (ora motor, ora gerador) acoplada diretamente à transmissão por engrenagem, esse motor-gerador está ligado a uma bateria capacitiva de alta tensão (400 Ah e >300 V).
Apesar de parecer novo, essa tecnologia já era utilizada nos antigos ônibus elétricos, aqueles ligados diretamente à rede elétrica por meios de hastes, em brinquedos movidos à fricção e também na maioria de veículos automotivos elétricos e híbridos, que recarregam as baterias na frenagem e/ou no processo de “freio motor” (manutenção da velocidade em descidas íngremes).
No caso dos ônibus elétricos, um volante inercial (contrapeso) é impulsionado em alta rotação antes da parada do veículo e será usado depois na saída do mesmo. Tal medida objetiva que o motor elétrico não parta da rotação inicial, o que traria implicações em picos de corrente e problemas no fator de potência da rede elétrica.
Todas as formas de utilização parecem divergir em seus objetivos, mas o certo é que o desenvolvimento dessa tecnologia beneficiará diretamente a sociedade, pois a tendência mundial é a mudança da atual frota por outra híbrida (pequeno motor à explosão combinado com outro elétrico) no intuito de reduzir as emissões e ninguém melhor que a Fórmula 1 para aprimorar tal tecnologia, pois o fator peso, eficiência e talvez o custo (para 2010) são explorados ao máximo, tecnologia essa posteriormente incorporada à poluidora frota veicular.
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